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Formação

É possível seguir Jesus sem a busca do conhecimento de si mesmo?

Ao querer aceitar o chamado que Jesus nos faz em sermos seus discípulos, pensando no seguimento ao Mestre e na adesão aos seus ensinamentos, faz-se necessária uma tomada de decisão livre e consciente, pois a partir dela, nossa vida pode tomar novos rumos. Digo “pode”, porque muitos de nós podemos viver na dicotomia do querer ser de Deus, porém, mantendo-nos resistentes aos nossos próprios apegos, fechados em nossas mesmas conclusões; sem liberdade, mas presos a nós mesmos.

Ampliemos a idéia. É possível percebermos posturas distintas que muitas vezes são tomadas por pessoas de fé e que acabam por tornar ambígua a vida do discípulo de Jesus.

Há aqueles que agem pelo impulso, conforme suas emoções, não comprometendo-se com o Mestre, desejando apenas seus milagres, suas curas. Quando tudo está bem em sua vida, a fé está em alta; quando ocorre alguma adversidade, a fé torna-se rasa. Apresentam comportamento inconstante. O próprio Jesus alerta:
Essas pessoas me louvam com os lábios, mas seu coração está longe de mim”(cf. Mc 7,6). Por qualquer dificuldade ou incompreensão, afastam-se de Jesus.

Outros têm conhecimento da fé, praticam e são compromissados com as regras, mas não preocupam-se em fazer as coisas pelo Mestre, nem em levar outros ao encontro de Jesus, preocupam-se sim, em serem vistos e reconhecidos pelos homens. Normalmente, envolvidos de orgulho espiritual, acabam por ter uma relação, não com Jesus, mas com seu próprio ego vaidoso. Jesus também alerta-nos desse tipo de seguimento:

Por fora vocês parecem boas pessoas, mas por dentro estão cheios de mentiras e pecados"(cf. MT 23, 27 -28).

Outros ainda, reconhecem Jesus como seu único Mestre, Filho de Deus Vivo. Seguem-no pelo que Ele é e não pelo que faz ou pelo reconhecimento que podem ter. Vão além do ordinário, fazem o extraordinário; isto é, não fazem só o que lhe é possível, mas norteiam sua vida no cumprimento a vontade do Mestre.

\Esta forma de viver o discipulado, difere dos outros modelos abordados, e faz com que o seguidor de Jesus livremente, por opção própria, seja capaz de estar com o Mestre na extrema alegria e na extrema dor.

O discípulo que adere a Jesus busca ser alguém que vive sua liberdade e responsabilidade de forma autônoma;  que sabe o que querer; ( pode até não saber direito o que fazer e o que quer, mas tem uma referência nos ensinamentos de Jesus), tem o ensinamento do Mestre como imutável, sem relativismos. “Seja o vosso sim, sim e o vosso não,não” (cf. MT 5, 37).

    Não há dúvida alguma que a Igreja deseja e merece ser uma comunidade de discípulos verdadeiros do Mestre! Justamente porque essa é a vontade do Mestre para nós! Basta ver o que nos traz a Conferência de Aparecida: " Não se começa a ser cristão por uma decisão ética ou uma grande idéia, (...) mas através do encontro com um acontecimento, com uma Pessoa, que dá um novo horizonte à vida e, com isso, uma orientação decisiva! "(DA 243).

    Para aderir concretamente aos ensinamentos de Jesus, aquele que deseja ser  discípulo precisa dar-se conta de quem é, apropriando-se do que envolve seu ser, para livremente entregar-se a Jesus, tomando consciência da responsabilidade do seu sim, sendo verdadeiro consigo mesmo e com o Mestre que o chamou, que já o conhece profundamente e sabe porque o quis.

Como o discípulo pode aderir verdadeiramente o Mestre se, consciente ou  inconscientemente, busca auto-afirmação, tenta suprir humanamente suas carências, vive condicionado aos seus “traumas”, determinado por situações vividas, tem uma fé muito emocional ou muito racional,vive procurando manter sua imagem em nível estético ou intelectual ou ainda?

    Muitas das situações de falta de amor a Deus, de pecado, ocorrem porque ainda estamos vivendo o egocentrismo... Se ainda sou o centro, como vou ter o ensinamento do Mestre como imutável? Os meus próprios pensamentos é que serão imutáveis! Se o discípulo verdadeiro é alguém que livremente dá respostas positivas à vontade do Mestre, é preciso que busquemos em nós mesmos este querer, em nossa essência de filhos de Deus.

    Portanto, cada cristão deve perceber que conhecimento de si mesmo é fundamental para aquele que deseja seguir Jesus de forma verdadeira e madura. A coerência exige o equilíbrio entre o ser de Deus e o agir por Deus. Pois, dominando nossos impulsos egocêntricos, trazendo para a consciência nossas imaturidades, teremos uma adesão mais concreta ao Mestre e aos seus ensinamentos, já que estaremos desprendendo-nos de nós mesmos e nos apropriando do livre-arbítrio, uma das características fundamentais que nos fazem imagem e semelhança de Deus.

Patrícia Espíndola de Lima Teixeira
Membro do Tabor e Mais que Amiga NPM
@patiteix


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