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Os três evangelhos teológicos

Além dos três Evangelhos sinóticos, a Igreja apresenta outras três narrações canônicas, que apresentam Jesus sob outros aspectos, tirados do Antigo Testamento, que se tornaram fundamentais para a devoção cristã: Profeta, Sacerdote e Rei. Trata-se de uma inovação, que não aparece nos sinóticos. Foram escritos por três grandes teólogos, ou seja, por três autores sacros que refletiram a personalidade e a missão de Jesus no contexto da cultura bíblica.
O primeiro destes teólogos – aliás o primeiro escritor do Novo Testamento – é Paulo. Doutorara-se em Sagrada Escritura. Não só a sabia de cor, como também conhecia as interpretações que dela se faziam. O ponto crucial era a Lei. Mostra, por A mais B,que Jesus é a Nova Lei, mas num sentido totalmente novo. Esvazia a Antiga Lei, declarada incapaz de salvar, para propor a nova Lei, na Pessoa de Jesus. Lei, no Antigo Testamento, se completava pela Profecia. Jesus é o novo Profeta, bem como a nova Lei. Deve seu ouvido e seguido.
O segundo Teólogo, cujo nome a Tradição não nos legou, é mais ou menos como o segundo Isaías, que viveu no tempo do exílio da Babilônia, após a destruição do primeiro templo de Jerusalém. Não conhecendo sua identidade, acoplaram-se seus escritos ao Primeiro Isaias, que viveu antes do Exílio, quando o templo ainda existia e constituía o centro da fé. Para impedir que o povo desarticulasse, o Segundo Isaías calcou a esperança messiânica. Visava à reconstrução do templo. Fala do Servo de Javé, com páginas de altíssima espiritualidade.
À semelhança deste Segundo Isaías, agora após a destruição do segundo templo, o Autor da Carta aos Hebreus apresenta Jesus como o Sumo Sacerdote e novo e definitivo templo. A Tradição nos legou este escrito como”Carta aos Hebreus”. Não se trata propriamente de uma carta. Na verdade é um Evangelho. Hebreus também não são destinatários individualizáveis. Dirige-se, em geral, ao povo simples das planícies. Os demais escritos do Novo Testamento não apresentam Jesus como Sacerdote para não confundi-lo com os sacerdotes do templo – não era esta sua função nem descendia da tribo de Levi, - e para não se fazer uma idéia errada do Messias. A Carta aos Hebreus inova, pois, corajosamente, mostrando outra categoria sacerdotal, que não mais se reduz ao serviço cultual. É mediação entre Deus e os homens. Fala do Sumo Sacerdote, capaz de se compadecer dos que ignoram e erram porque também ele está cercado de fraquezas. A Carta aos Hebreus é sublime, como o é o Segundo Isaias, apontando para os novos e mais empolgantes horizontes de salvação.
O terceiro teólogo é João, No seu escrito, que cronologicamente é o último do Novo Testamento, que chamamos Evangelho de S. João, trata de Jesus como Rei. Era o destaque que faltava nos escritos do Novo Testamento. Com extrema maestria apresenta esta revelação não diante dos judeus, nem no sinédrio, mas diante do Procurados de Roma, Pôncio Pilatos. O Sumo Sacerdote perguntara-lhe acerca do Messias, Filho de Deus. Pilatos, no dia seguinte, pergunta se ele é Rei.O testemunho é insofismável: Eu sou Rei. Mas logo acrescenta: meu Reino não é deste mundo. Com isto significa que obedece a outros critérios, que não são os do poder, da força e da manipulação. Já tinha dito aos discípulos que, entre eles, não deveria ser como agem os poderosos do mundo. O primeiro entre eles é quem serve. Por isso lhes lava os pés. Mas garanta aos discípulos: “Coragem, eu venci o mundo”.

Dom Dadeus Grings


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