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O julgamento de Jesus

S. João divide seu Evangelho em duas partes: a vida pública, de um lado, e a paixão e ressurreição, do outro lado. Marcos o apresenta tripartido: o ministério da Galileia; o ministério da Judeia e, por fim, a paixão e ressurreição. Isto para dizer que a paixão de Jesus ocupa o lugar central no anúncio cristão. O pano de fundo está na grande pergunta: quem é Ele? E, conseqüentemente, o que Ele representa para a humanidade? Trata-se de uma questão que diz respeito a cada um e deve ser respondida com a própria vida.
Os Evangelhos centralizam a narração nesta pergunta. É dirigida inicialmente a João Batista: “És tu o Cristo? Que dizes de ti mesmo?” Havia necessidade de uma resposta abalizada diante desta figura marcante. João se define como voz que clama no deserto. Ele mesmo, depois, a partir de sua prisão, em que fora jogado por Herodes, mandou discípulos perguntar a Jesus: “És tu aquele que há de vir ou devemos esperar outro?” É a grande e fundamental pergunta que atravessa os séculos. Jesus responde com seu ministério e, mais tarde, de modo mais contundente, com a paixão e ressurreição: “Ide contar o que vistes e ouvistes”.
Na narração da paixão, ocupa lugar central o julgamento do Sinédrio. Dizem os Evangelistas que os Sumos Sacerdotes e o Sinédrio procuravam testemunhas contra Jesus para condená-lo à morte (Mc 14,55). Importante notar que, antes de qualquer acusação, já havia o propósito da condenação. Mas precisavam justificá-la com algum testemunho condizente. O mais curioso é que os Evangelhos atestam que Ele se mantinha calado. Sabia que as acusações não tinham consistência. Então o Sumo Sacerdote levantou-se e disse: “Eu te conjuro pelo Deus vivo, dize-nos se tu és o Cristo, o Filho de Deus?”(Mt 26,63). Eis a questão que interessa!
É óbvio que o processo foi mais demorado. Pelo contexto percebe-se que esta pergunta se divide em duas. Primeiro, o Sumo Sacerdote pergunta se Jesus é o Cristo, o que já haviam mandado perguntar a João Batista. Confessá-lo não constituía, pois, nenhum crime. Estava na perspectiva e na expectativa das profecias bíblicas. Diversos líderes se apresentaram como Messias, acolhidos por um bom numero de fãs e até por autoridades. O que intrigava a opinião pública judaica era uma questão mais profunda: seria Jesus o Filho de Deus? É o que estava pairando no ar e que as pessoas não se atreviam explicitar.
Estamos no período da vida de Jesus que se chama pré-pascal.Quando Jesus perguntou aos discípulos sobre o que os homens pensavam dele, as respostas variaram. Ao apelar, porém, diretamente, para a posição dos discípulos, Pedro o reconheceu como Cristo, Filho de Deus (Mt 16.16). Acolhida esta definição, Jesus ordenou que não o dissessem a ninguém, antes de sua ressurreição(Mt16,20). Ainda não percebiam a extensão e as implicâncias desta Revelação, que ficará marcada com a Cruz.
O Sumo Sacerdote, na presidência do Sinédrio, tem consciência das repercussões. Ao Jesus reconhecer que é o Cristo, o Filho de Deus “rasgou suas vestes e disse: que necessidade temos ainda de testemunhas? Ouvistes a blasfêmia! Que vos parece? Então todos o sentenciaram réu de morte”(Mc 14,63-64).

Dom Dadeus Grings

Fonte: www.arquidiocesepoa.org.br


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