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A última flor do Lácio

O Dep. Carrion apresentou, no parlamento gaúcho, um projeto em prol da pureza da língua pátria. Pode-se discutir o fórum adequado, mas não o objetivo. A língua pátria constitui um patrimônio que nos foi legado e elaborado, junto com nossa terra e nossas tradições, através de muitas gerações. Faz parte de nossa identidade e expressa nossa cultura. Merece, pois, toda atenção e cuidado, não inferior ao que se tributa à natureza e à vida.
Quem estuda as línguas que estão na origem de nosso idioma pátrio não pode deixar de admirar como, há mais de dois milênios, se tenham formado línguas tão perfeitas como io Latim e o Grego. Revelam um pensamento consistente e retratam uma expressão, cuja exatidão nos deixa impressionados. Houve quem cuidasse delas não só no sentido de se expressar de modo artístico e elegante como também no de aprimorar o próprio linguajar, à semelhança do traje que retrata nossa personalidade e nossa época. Lembremos os grandes oradores, poetas e escritores que dignificaram tanto o grego como o latim, apresentados como escritores clássicos.
Ficamos perplexos ao constatar que se ensinem oficialmente erros de linguagem na ultima flor do Lácio. E pior ainda, vemos nossa língua vilipendiada com estrangeirismos cada vez mais numerosos e agressivos, como a demonstrar uma pobreza endêmica de nossa língua pátria. Somos invadidos e violentados. Nossa língua é declarada incapaz de expressar a cultura dos modernos meios de comunicação. Vale por isso a reclamação do poeta que proclama nossa língua como a última flor do Lácio, inculta e bela, tão maltratada por seus usuários.
Não admiraria se, para ir ao encontro dos comportamentos da atualidade, marcada pela corrupção, se optasse em editar livros que ensinassem erros de matemática, para dar maior elasticidade às quatro operações, oficializando o que vem acontecendo em muitos ambientes, de modo que dois mais dois , dependendo do caso, possa ser cinco ou três. Reclamar contra esta disposição seria considerado discriminação matemática.
Hipotecando solidariedade à iniciativa do Dep. Carrion, de depurar nossa língua dos estrangeirismos e repudiando iniciativas oficiais de divulgar erros de linguagem para oficializar o jargão popular, em vez de aprimorar a língua pátria, faço votos de que, à semelhança das campanhas pela ecologia, no sentido de aprimorar o meio ambiente, se faça também um esforço para purificar nossa língua. Assim como queremos uma natureza preservada do lixo, desejamos também uma língua castiça, expressão genuína da alma brasileira. É por ela que nos relacionamos. Cada um merece receber uma boa comunicação, feita com arte e pureza. A língua constitui um patrimônio a ser preservado, desenvolvido e aprimorado. É o espelho de nossa cultura e de nossa alma brasileira, de nossa convivência e de nosso desenvolvimento. Numa palavra, somos nós mesmos como nação.

Dom Dadeus Grings

Fonte: www.arquidiocesepoa.org.br


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