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Formação

Celebração Litúrgica: preparar-se é necessário!

No Tabor estamos refletindo muito nos últimos dias como preparar uma celebração. Conversamos muito entre nós que de “preparar-se é necessário” e até intitulamos uma de nossas formações assim. Porém penso que sempre é hora de repensarmos se o jeito que nos preparamos, ainda mais para uma celebração litúrgica, está sendo adequado.

Nós temos pensado, a partir da oratória, em três níveis de preparação: remota, próxima e imediata. A preparação remota é aquela que ocorre com bastante antecedência, no qual se buscam leituras, reúnem-se diversas partituras, participa-se de formações. Na preparação próxima, nós nos detemos ao evento em específico, no nosso caso, a celebração. Neste passo precisamos escolher repertório, definir equipe que tocará, e será para este passo que focarei minha atenção neste artigo. Na preparação imediata nos organizamos para chegar com antecedência no local da celebração, aquecemos as vozes, afinamos os instrumentos, conferimos se os equipamentos de som estão bem equalizados, testamos microfones, organizamos a distribuição da equipe no local, com seus respectivos instrumentos e partituras. Estamos realizando este processo todo ou estamos utilizando a preparação imediata como única?

O Documento 43 da CNBB de 1989, Animação da vida litúrgica no Brasil, sugere alguns passos para serem seguidos na preparação de uma celebração. Convém retomar que a parte musical da celebração precisa estar integrada com o restante, e é muito importante que os músicos estejam integrados à Pastoral Litúrgica, sendo a música um “braço” desta pastoral (fazem parte desta pastoral setores como música e espaço litúrgico).

Sugere-se um encontro para preparar a celebração e como primeiro passo, pedir as luzes do Espírito Santo. Não estamos somente escolhendo um repertório, mas sim procurando vivenciar profundamente o momento para melhor celebrarmos, e iniciamos rezando juntos, vivenciando a espiritualidade. Existem muitos cantos bonitos que fazem esta súplica ao Espírito Santo.

O segundo passo é avaliar a celebração passada. Avaliar não é dizer somente se tocamos bem ou não, mas sim refletir profundamente se a celebração foi marcante na vida da comunidade, se a assembléia sentiu-se envolvida no mistério que celebramos (recomendo o artigo “Qual o timbre de nossa assembléia?”), como se deu a relação entre as pessoas que atuaram, se prevaleceu um clima orante. Este é o momento de refletir sobre a nossa ação, para qualificá-la.

O terceiro passo é situar a celebração no tempo litúrgico e na vida da comunidade. Devemos criar a consciência do que é celebrado e qual a relação disto com a vida da comunidade. A celebração situa-se em qual tempo litúrgico, é alguma festa, solenidade? Além disto, precisamos recordar os acontecimentos e intenções, como acontecimentos sociais, religiosos.

O quarto passo é fazer a experiência da Palavra de Deus. Começamos este passo lendo o evangelho e após seguimos a primeira leitura, salmo, segunda leitura. Uma sugestão é vivenciar a lectio divina (leitura orante que possui passos como leitura, meditação, oração e contemplação).

A partir de tudo o que foi vivenciado, passamos para o quinto passo, levantar sugestões para os ritos e cantos. Podemos pensar na relação do canto de comunhão com o evangelho, redigir as preces a partir do que foi suscitado, escolher qual fórmula do ato penitencial pode auxiliar para o mistério seja melhor vivenciado. Não podemos esquecer que este passo não pode ser dado de maneira desarticulada da pastoral litúrgica, do pároco. A partir das sugestões, elaboramos um roteiro da celebração e distribuímos os ministérios e serviços. No Tabor, optamos em elaborar uma “Ficha de Missa” no qual temos tudo previamente organizado sendo necessário só preencher, para assim não correr o risco de esquecer alguma função, ou algum canto. Após vivenciar estes passos, ensaiamos. O ensaio nos ajudará a fazer escolhas musicais mais conscientes, nos sentirmos mais seguros e assim fazer com que nossa música aconteça com mais qualidade.

Faço o desafio de os leitores fazerem esta experiência em suas comunidades e após relatarem como foi a vivência da reunião e da própria celebração. Que a frase do beato João Paulo II continue a ressoar em nossos corações: “Que vosso modo de celebrar seja a própria expressão de vossa fé”.

Michelle Girardi
Preparadora vocal, membro do Tabor e da Pastoral Litúrgica do Vicariato de POA
@migirardi


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