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Formação

A busca desenfreada do Eu

O ser humano, com sua tendência profundamente religiosa, procurou, na natureza, sinais da divindade. Tentou até representá-la através de imagens, que ficaram com o nome grego de “ídolos”. O culto que se lhe prestava chamava-se idolatria. Mas, além das imagens, feitas por sua mão, o homem viu também uma presença da divindade nos animais, nas montanhas, nos poderosos do mundo. Alguns, sentindo o poder subir-lhes à cabeça, se autoproclamaram Deus. Conseqüentemente exigiram e receberam culto correspondente.


Na verdade, cada ser humano, desde sua origem, sente uma forte tendência a endeusar-se. A Bíblia nos conta que Adão e Eva sucumbiram à tentação de “serem como Deus”, comendo do fruto proibido. Desde então se aninhou no coração humano o desejo de ser mais do que é. Quer igualar-se a Deus. As lendas e os mitos antigos no-lo mostram, tentando arrebatar os segredos divinos. Queriam penetrar no Olimpo.

Desde que tem consciência de si, o homem se transcende infinitamente. Por isso tenta, de todos os modos, submeter a si tudo e todos. Mas acima de tudo, eleva-se a si mesmo diante dos próprios olhos, colocando-se na categoria divina. É senhor de si e de seus atos. Orienta seus atos, de modo especial pelas ciências e pela técnica, no sentido de engrandecer-se a si mesmo ao infinito. Posiciona-se não só no centro do universo – e o princípio da relatividade lhe dá razão, garantindo-lhe que o universo inteiro depende de sua posição de observador, isto é, depende dele -. Faz tudo convergir para si.

Tenta submeter as pessoas, os animais, as coisas e toda natureza. Não o conseguindo, fecha-se sobre si mesmo e se incensa pelo pensamento. Nossa época fala da subjetividade para realçar esta dimensão. A objetividade e, conseqüentemente, a verdade, perdeu cotação. O homem se faz a si mesmo. É o produto de seu próprio pensamento, vontade e sentimentos.

Transforma-se em ídolo da divindade. Procura cultuar-se ao máximo não só por cosméticos, como também por atitudes de soberania. A linguagem humana fala de egolatria. É o culto do eu.

Todos sabemos como é frágil este eu. Mas também como, para muitos, é difícil e penoso reconhecer esta fragilidade. Precisa chegar um novo Abraão para quebrar estes ídolos de barro. Somente uma adversidade, incompreensão e, acima de tudo, uma doença e, por fim, a morte, conseguem derrubar este mito egolátrico. Cada dia caem em pedaços milhares destas imagens, que brilharam por algum tempo e que se consideraram imprescindíveis e todo poderosas. Não se deram conta de sua fragilidade, porque nunca observaram que nem o sono estava sob seu pleno domínio, nem a possibilidade de fazer suas próprias necessidades... Até caírem em si e perceberem que não são Deus. Se então se descobrem ateus perecem no próprio vazio. Na verdade não viveram para ninguém.

De fato, a pessoa, para a qual viveram com exclusividade, eram eles mesmos. Agora está definhando. Os outros seres os abandonam porque não conseguem varcar os umbrais do tempo. Deixam-nos sozinhos, sem nada. Não só não sabem de onde vieram nem sabem para onde estão indo. Não apenas não respondem à pergunta: Por que viveram? Nem à pergunta: para que viveram? E muito menos: para quem viveram? Em síntese, viveram sem sentido, sem meta e sem partilha. Tudo vazio. Tudo inútil, Tudo evaporou.

É assim o fim dos orgulhosos, dos ególatras, dos ateus.

Dom Dadeus Grings

Fonte: www.arquidiocesepoa.org.br


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