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Formação

O relacionamento humano

O ser humano se caracteriza por seu relacionamento em quatro direções: consigo mesmo, denotando sua identidade: é o que é, e se atinge pela consciência; com os outros, comunicando-se com eles de acordo com suas capacidades pela intersubjetividade; com o mundo, ao integrar a harmonia do universo e se relacionar com ele pelas ciências e pela técnica; e com Deus, como origem e fim, ou seja, como razão de seu ser, através da fé. O ser humano tem conhecimento deste quádruplo relacionamento: pela consciência se identifica consigo e se distingue das demais criaturas; pela intersubjetividade convive com seus iguais; pelo conhecimento objetivo, proporcionado pelas ciências, atinge o mundo; e pela fé se dirige a Deus e o acolhe em seu íntimo.
Entre nós nos relacionamos de diversos modos, com os pais na qualidade de filhos; os esposos por laços conjugais; com os filhos pela paternidade e maternidade; com os irmãos pela fraternidade;com os demais homens pela humanidade. Também o homem e a mulher se relacionam de diversos modos: não só como cônjuges, mas também como pais e mães, como filhos e filhas, como irmãos e irmãs, como amigos e amigas...
Há um terceiro campo de relacionamento a ser cultivado entre os seres humanos. É o que os aproxima pela mesma fé. Relacionar-se não é olhar um para o outro, mas ambos ou muitos olharem na mesma direção, tendo a mesma meta. O primeiro relacionamento que emerge dali é a identidade da fé compartilhada na mesma Igreja ou Religião. O fato de professar-se católica tira a pessoa da solidão e a relaciona intimamente com todos os que professam esta mesma fé, não só hoje, como também no passado e no futuro. Dela flui a consciência de pertencer ao Corpo Místico de Cristo, no qual circula a seiva da graça, penhor da vida eterna.
Não nos fechamos em nosso círculo de fé católica. Reconhecemos muitos irmãos que crêem em Cristo. Criamos, em torno dele, uma admirável comunidade de fé. Solidarizamo-nos com todos os cristãos. Olhamos, com eles, na mesma direção, olhos fixos na meta, que é Cristo. Alegramo-nos com esta visão comum e com o testemunho de vida que compartilhamos na esperança, baseados na mesma Sagrada Escritura.
Nosso relacionamento se alarga ainda mais quando aprofundamos a Sagrada Escritura, na sua primeira parte. Encontramos ali um Povo que lhe deu origem e continua a firmar-se em seus ensinamentos, que denominamos Antigo Testamento. Relacionamo-nos assim com os judeus, com os quais temos em comum os Patriarcas e as promessas messiânicas, que nós reconhecemos realizadas em Jesus Cristo.
Notamos que a humanidade é mais ampla que a Tradição judaico-cristã. Reconhecemos que nada de humano nos é alheio. Sem perder nossa identidade, abrimo-nos aos demais povos que buscam Deus e o adoram do fundo de seu coração. Com eles fazemos uma profunda experiência da divindade, abrindo nossos olhos para ver o Invisível que para nós mostrou seu rosto em Jesus Cristo. Estamos aqui no rico diálogo interreligioso que nos leva à descoberta da transcendência.
E se mais não fosse, também os ateus nos ajudam na descoberta do autêntico sentido de Deus, ao questionaram nosso modo de crer. Reconhecemos, com eles, que Deus é totalmente diferente de tudo o que possamos pensar ou imaginar. Ele é Outro, defimnido como pólo supremo na perspectiva da mente. Quando o ateu nos põe às claras o Deus em que ele não crê, devemos agradecer-lhe pela explicitação, reconhecendo que num Deus assim nem nós cremos. E então saberemos que nosso Deus é diferente do que eles e nós pensamos. Ele é Amor, é Verdade e Vida que, em Jesus Cristo nos mostrou seu rosto.

Dom Dadeus Grings

Fonte: www.arquidiocesepoa.org.br


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