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São José, o silencioso

No dia 19 de março celebramos a festa de São José, pai adotivo e virginal de nosso Mestre Jesus. Proclamado Patrono universal da Igreja pelo Papa Pio IX, em 1870, esse Santo do qual os Evangelhos falam tão pouco – e que, de sua parte, não fala sequer uma palavra – é ainda pouco conhecido e venerado, frente a sua grandeza e santidade. Mas o pouco que se sabe sobre São José deixa de ser pouco para tornar-se muito se o tomarmos como modelo de obediência, de bondade, de docilidade, de castidade, de justiça, de pobreza, de santidade. Sua vida transcorreu na humildade e no silêncio, no amor e na obediência a Deus, no serviço e dedicação à sua Sagrada Família.

O livro de Michel Gasnier (José, o silencioso; editora Quadrante) do qual passo a tecer alguns comentários fala de maneira tão profunda que “São José ensina-nos que a única grandeza consiste em servir a Deus e ao próximo, que a única fecundidade nasce de uma vida que, desdenhando o brilho e as conquistas rumorosas, se dedica a cumprir consciente e amorosamente o seu dever, por mais humilde que seja, sem procurar outra recompensa senão agradar a Deus, submetendo-se às suas ordens à medida que Ele as ditas, sem ter outro receio além de não servi-lo bem”.

Acho interessante a maneira como o livro apresenta José, no seu dia-a-dia, deduzindo dos costumes da época como ele devia se portar perante seus próximos, como era a relação com Maria e como foi a criação de Jesus. Quantas vezes ele deve ter estudado as Escrituras, rezado com os Salmos, esperado o Messias prometido, sem imaginar que teria uma participação tão grande nesse mistério.

O que teria pensado e sentido José ao perceber que Maria estava grávida e desconhecer ele como isso aconteceu. O livro nos diz que “no espírito de José desenrola-se um debate trágico. Nunca Deus impôs a uma alma profundamente santa, amada por Ele com amor de predileção, uma situação tão pungente”. Pois José, conhecendo a virtude de Maria não duvida da sua inocência, mas também não conhece o mistério que envolve a gravidez. Por isso resolve abandoná-la, “não por despeito, mas por respeito, respeito pelo mistério que não lhe foi desvendado”.

Pensemos agora na alegria que ele deve ter sentido quando de sua anunciação, em sonho, de que Maria estava grávida por obra do Espírito Santo e do pedido que o anjo lhe faz para que receba Maria em sua casa. Como terão sido os preparativos para o nascimento, a espera, os planos entre o casal. Quantas vezes eles leram e releram as escrituras, procurando as passagens que mencionavam a vinda do Messias. Como eles devem ter meditado e finalmente compreendido as palavras dos profetas. Quantas vezes devem ter rezado com as palavras do Magnificat.

Procuremos meditar algumas passagens do Evangelho sob o olhar de José: a ida à Belem para o recenciamento, uma viagem longa e cansativa, preocupado com o bem estar de sua esposa grávida; a falta de alojamento para o casal, a dor e sentimento de culpa de ver seu filho nascer num estábulo; a alegria pelo nascimento; a angustia ao ouvir as palavras de Simeão para Maria; a preocupação com a perseguição de Herodes e o zelo pelo Menino Jesus; o medo do desconhecido em terra estrangeira; o desespero ao perder Jesus em Jerusalém.

Também o crescimento de Jesus “em sabedoria, estatura e em graça” que nos menciona o Evangelho deu-se no âmbito da Sagrada Família, sob o olhar carinhoso e protetor de São José, que tinha a função de alimentar, vestir e instruir Jesus na Lei e num ofício, conforme os deveres estabelecidos para o pai em sua época. Quantas vezes José deve ter sentado Jesus em seu colo e O ensinado a rezar, a ler, contado histórias de seus antepassados, aconselhado. E quando mais velho, ensinou o seu ofício ao filho, ensinou-Lhe responsabilidade para com o trabalho, com os clientes, com as pessoas com dificuldades financeiras. Ensinou-Lhe a ser honesto nas cobranças, a cumprir os prazos prometidos, a tratar a todos com o mesmo respeito e carinho, a ser cuidadoso com as ferramentas de trabalho e responsável com o trabalho.

Ao meditar essas passagens, percebo a grandeza desse homem, o amor a Deus e a sua família, a coragem, a prontidão, a confiança, a humildade. Como pai, quero aprender cada vez mais com esse Santo, contar com sua proteção e exemplo, confiar meu trabalho e minhas responsabilidades como pai e esposo à proteção dele, conhece-lo melhor, imitá-lo.

“Se aos outros santos o Senhor parece ter concedido a graça de socorrer numa dada necessidade, a esse Santo Glorioso, a minha experiência mostra que Deus permite socorrer em todas, querendo dar a entender que São José, por ter-lhe sido submisso na Terra, na qualidade de pai adotivo, tem no Céu todos os seus pedidos atendidos.” (Santa Teresa de Jesus, Livro da Vida)

Tiago Pedrini
Comunidade Nos Passos do Mestre
tiago@nospassosdomestre.com.br


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