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O Encontro com Deus

O céu parece-nos muito “distante”, para não dizer “diferente”. Separa-nos dele como o tempo e a eternidade; o finito e o infinito; o passageiro e o definitivo; a caminhada e a meta. Nós ainda estamos do lado de cá, apenas vislumbrando o lado de lá. Como ficamos aqui? Como encontrar Deus em nosso tempo e em nosso espaço?


Jesus indicou sinais que permitem encontrá-lo pessoalmente. Podemos situá-los no esforço humano de encontrar Deus, através destes sinais estabelecidos ao longo dos tempos. Em lugar das imagens esculpidas, que chamavam de ídolos, quer ser encontrado no pão que alimenta os homens. Na última ceia o tomou e garantiu isto ser seu corpo. O corpo é o modo de nos deixarmos encontrar e visibilizar. Mandou fazer isto em sua memória: ali está presente pessoalmente em seu gesto de entrega total. Chamamo-la Eucaristia.


Em lugar das realidadesnumenificadas – caracterizadas pelo númen – quer em montanhas, quer em animais, quer em astros, Jesus se deixa encontrar nas pessoas carentes que nos cercam. Mostra-se presente em quem passa fome ou sede, está nu ou enfermo, se encontra na prisão(Mt 25,35-36). Em outras palavras, Deus não é encontrado nas coisas prontas, mas nas carências a serem preenchidas.


Além disso, Deus, com o sinal da Cruz, na qual foi pregado, não se encontra no poder mas no serviço. O maior no seu Reino é quem se torna o menor e o servidor de todos.


Deus não se encontra nem nas idéias nem na economia nem nas ciências. Jesus, ao contrário, estabeleceu a comunidade de fé como sinal de sua presença entre os homens. Ali, onde as pessoas se encontram em seu nome,Ele está presente. Destaca-se, em primeiro lugar, a família como lugar de encontro com Deus. Vem, depois, a comunidade paroquial, que reúne os fieis para o culto divino, para a caridade e para a evangelização.


Nesta perspectiva, o tempo perde seu aspecto trágico de “chrónos”, como mera sucessão de movimentos, para se tornar “kairós”, ou seja, graça. É o tempo litúrgico, que nos aproxima, cada dia de modo diferente, de Deus. Ele nos fala pelo e no tempo. O tempo, vivido na perspectiva da fé, torna-se veículo adequado para chegar à meta. A Liturgia fixa nosso olhar nesta meta e nos acompanha, no dia a dia, na peregrinação. Chegaremos lá. Olhamos para lá com esperança e cheios de fé. Aqui encontramos Deus através de sinais, que Ele nos deixou Isto nos anima na caminhada. Não estamos a sós. Caminhando com os irmãos na fé temos certeza de contar com a companhia de Jesus.


Por fim, a egolatria é substituída pelo testemunho da salvação: “Sede minhas testemunhas até os confins do mundo”. Os discípulos de Jesus têm a missão de tornar o Mestre presente entre os homens em toda parte. S. Paulo o entendeu bem. Exorta, por isso, os cristãos a serem seus imitadores, assim como ele se propõe ser imitador de Cristo (1 Cor 11,1). Os cristãos não se limitam a palavras – não são apenas anunciadores da salvação – mas visibilizam, com sua vida, o próprio Cristo. Cabe-lhes, em outras palavras, torná-lo presente onde quer que estejam.


Os homens encontraram Deus em muitas realidades. Cada ser humano opta por algum Absoluto, ao qual sacrifica a vida. Procura um sentido para ela. Jesus veio confirmar esta tendência e dar-lhe um direcionamento. Mostra o Pai e estabelece muitos sinais para encontrá-lo: entre nós, no espaço e no tempo. Está no céu para apontar para a transcendência e se encontra na Eucaristia, nos sacramentos, na Comunidade, nos pobres, no tempo litúrgico... para garantir sua imanência. Elevou o templo à plenitude, como veículo da graça.

Dom Dadeus Grings

Fonte: www.arquidiocesepoa.org.br


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