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Viver a Semana Santa

Para muitos, um feriado. Para outros, uma devoção; para o comércio, oportunidade fantástica de vendas; para outros ainda, um momento especial de meditação, oração e renovação da fé.  Para você, o que significa “viver a semana santa”?

Começo com uma afirmação do saudoso Papa Paulo VI: “Se há uma liturgia que deveria encontrar-nos todos juntos, atentos, solícitos e unidos para uma participação plena, digna, piedosa e amorosa, esta é a liturgia da grande semana. Por um motivo claro e profundo: o Mistério Pascal, que encontra na Semana Santa a sua mais alta e comovida celebração, não é simplesmente um momento do Ano Litúrgico: ele é a fonte de todas as outras celebrações do próprio Ano Litúrgico, porque todas se referem ao mistério da nossa redenção, isto é, ao Mistério Pascal”.

Eis o sentido do que significa “viver a semana santa”:  fazer memória do mistério do amor de Deus que se manifestou na entrega confiante de Jesus ao Pai, até a morte na cruz, por fidelidade à sua missão.  Mais ainda, significa celebrar o mistério do amor de Deus que sustentou Jesus em seu calvário e o ressuscitou, o glorificou, o fez sentar-se à sua direita, constituindo-o Cristo, Messias e Senhor.

“Viver a semana santa” significa fazermos memória destas ações maravilhosas de Deus. Mais, sabermos que estamos “re-vivendo” todos estes fatos. “De geração em geração, cada um de nós é obrigado a ver-se a si próprio, com os olhos penetrantes da fé, como tendo ele mesmo estado lá no Calvário, na primeira sexta-feira santa, e diante do sepulcro vazio, na manhã da ressurreição. Hoje, todos nós, aqui reunidos para celebrar a eucaristia, estávamos lá, prontos a morrer na morte de Cristo e a ressuscitar em sua ressurreição. Será exatamente nossa comunhão com o corpo sacramental do verdadeiro Cordeiro que nos tornará realmente presentes àquele eterno presente[1].

“Viver a semana santa” significa estar reunido com a comunidade na Missa da Ceia do Senhor, que dá início ao Tríduo Pascal. Na oração do dia rezamos: “Ó Pai, estamos reunidos para  a santa ceia, na qual o vosso Filho único, ao entregar-se à morte, deu à sua Igreja um novo e eterno sacrifício, como banquete do seu amor. Concedei-nos, por mistério tão excelso, chegar à plenitude da caridade e da vida”.

Na Sexta-feira santa, participamos da celebração da gloriosa Paixão e Morte de nosso Senhor. “Prova de amor maior não há, que doar a vida pelo irmão!” E no sábado santo, como lemos no Missal Romano, “a Igreja permanece junto ao sepulcro do Senhor, meditando sua Paixão e Morte, e abstendo-se do sacrifício da Missa até que, após a solene Vigília em que espera a Ressurreição, se entregue às alegrias da Páscoa, que transbordarão por cinqüenta dias”.

Na solene Vigília Pascal, aclamamos Cristo, Luz que ilumina nossa vida; escutamos a Palavra para ver “como ele salvou outrora o seu povo e nestes últimos tempos enviou seu Filho como Redentor”. Renovamos nosso Batismo, sacramento pelo qual fomos inseridos no mistério da Morte e Ressurreição do Senhor. E, por fim, celebramos a Eucaristia onde aclamamos o mistério de nossa fé e, pela comunhão, “saciados pelos sacramentos pascais, permanecemos unidos no amor de Cristo” (Oração após a comunhão).

Concluo com uma parte da homilia de S. Gregório de Nazianzo, bispo, séc. IV: “Se és Simão Cireneu, toma a cruz e segue a Cristo. Se, qual o ladrão, estás crucificado com Cristo, como homem íntegro, reconhece a Deus. Adora aquele que foi crucificado por tua causa. Se és José de Arimatéia, pede o corpo a quem o mandou crucificar; e assim será tua a vítima que expiou o pecado do mundo. Se és Nicodemos, aquele adorador noturno de Deus, unge-o com perfumes para a sua sepultura. Se és Maria, ou a outra Maria, ou Salomé, ou Joana, derrama tuas lágrimas por ele. Levanta-te de manhã cedo, procura ser o primeiro a ver a pedra do túmulo afastada, e a encontrar talvez os anjos, ou melhor ainda, o próprio Jesus[2].

Aí sim, poderemos exclamar: “FELIZ PÁSCOA!”

Pe. Carlos Gustavo Haas
Assessor da Comissão Episcopal de Liturgia da CNBB.


[1] Césare Giraudo, Redescobrindo a Eucaristia, Loyola, pág. 83.

[2] Liturgia das Horas, vol. II, pág. 352


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